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Bondade, Caridade, Solidariedade ...

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Amigo Pedro, hoje dirijo-me a ti. O camarada Van Zeller foi passar o ano nas Maldivas, está demasiado longe para que a minha voz lhe chegue. Acabei agora mesmo de ler a tua mensagem de Natal no Facebook e só posso dizer-te que me sinto profundamente desiludido. Afinal, Pedro, és tão piegas quanto a maioria dos portugueses. A época natalícia desmascarou-te, despiu-te da armadura de ferro, amoleceu-te. Falas-nos como se fosses um convidado da Oprah ou um entrevistado do Alta Definição, esvaindo-se em lágrimas de menino pendurado numa qualquer parede de um qualquer solar português. Dizes, ó Pedro, que este Natal não foi o Natal que merecíamos. Reconhece-lo depois de teres acabado com essa gordura social do décimo terceiro salário. Convenceste-nos de que precisávamos de fazer dieta, e agora vens vender-nos a banha da cobra em que terás banhado as azevias da Laura. Lamentas que muitas famílias não tenham gozado na Consoada “os pratos que se habituaram”, como se os pratos tivessem hábitos. E que muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa, como se isso fosse um problema para quem já nem mesa tem. Quanto mais família! Deves pensar que andamos todos a cultivar afectos, estimulados quiçá pela literatura da E. L. James. Mas tu não vês, ó Pedro, que os velhos foram abandonados, as criancinhas deglutidas e os gérmenes secados que nem figos? Não andas a escutar com atenção o Presidente da República. Se escutasses, também tu questionar-te-ias sobre o que mais é preciso fazer para que nasçam crianças em Portugal. E também tu ficarias fascinado com a mungidura das vacas e os méritos do bolo-rei em bocas amordaçadas. Os portugueses que não puderam dar aos filhos um simples presente deviam dar os filhos a este Pedro. Ele que os crie com pratos de Sacavém. Ó Pedro, tu não és assim. Tu és outra coisa qualquer, tu és um Trinitá da política portuguesa. Resta-me a esperança de que esta tua metamorfose não seja, em boa verdade, tão piegas quanto aparenta. Talvez sejas um menino da lágrima a verter crocodilos pelos olhos. Afirmas, numa sintaxe elíptica de fazer inveja aos maiores poetas da língua portuguesa, que “já aqui estivemos antes”. Interrogo-me sobre onde será o aqui em que estivemos, tu e eu, Pedro, os dois, antes. A comida que então esticava para todos lembrou-me a sardinha para três de que tantas vezes me falou meu pai, mas nesse tempo não havia presentes maiores nem menores, as pessoas não lavavam os dentes e poupavam no banho. Não havia presentes, nem solas nos sapatos. Ponto final parágrafo. Este ano que para muitos foi um ano cheio de sacrifícios, Pedro, não foi “apenas” mais um ano. Foi o ano em que vimos a excelência administrativa de um Oliveira e Costa a ser premiada com mesas exíguas na Consoada das famílias portuguesas. Pergunta ao José Oliveira e Costa de que tamanho era a mesa dele, e que prendas deu à filha Iolanda, e pergunta ao Caprichoso que pratos lhe levaram à mesa, e ao Monteverde se dividiu as sardinhas, e ao Duarte Lima se comeu bacalhau ou se partilhou com o filho uma lata de atum, pergunta ao Arlindo Carvalho e ao Almerindo Duarte e ao Dias Loureiro, e ao Aprígio e ao Joaquim Coimbra e ao Fernando Fantasia e ao Catum, que conhecerás bem melhor do que qualquer um de nós, pergunta-lhes, Pedro, os sacrifícios que têm feito. Pergunto-te eu, Pedro, se é neles que pensas quando pensas nos que estão a sofrer. Se não é, devia ser. Devias pensar mais neles e noutros como eles, como esses a quem vais dando abrigo nas tuas lágrimas de Pedro. Pergunta ao Relvas se dividiu o bacalhau com os angolanos. Ou então aprende com o César das Neves e deixa de ser piegas, varre essas mensagens de facebook para debaixo do tapete como fizeste com todas as promessas que te trouxeram ao poder. Emigra, ó Pedro, faz desta crise uma oportunidade, desperta o que de melhor há em ti, mata-te, emigra, enclausura-te num mosteiro, faz qualquer coisa de útil para todos nós. Leva a Laura a passear à Sibéria e não regresses. Porque não é com orgulho que fazemos sacrifícios, estimado Pedro, muito menos supondo que esses sacrifícios trarão aos nossos filhos um futuro melhor. Mas qual futuro, ó Pedro? Tu, que ainda vês futuro onde já só se avista desesperança, explica-nos como alegrar os dias num país onde a morte ultrapassa a vida. Tu não percebes, Pedro, que estás a falar para 900 mil desempregados e outros tantos perto de o serem? Ou julgarás que só a Jonet e o César das Neves fazem um país inteiro? Pedro, ao pé de ti o embuste Artur da Silva é uma anedota para entreter meninos, uma piada de mau gosto, um número de stand-up comedy. Tu sim, Pedro, tu és o grande embuste que nos saiu na rifa, tu mais as tuas garantias e a alegria misericordiosa das Jonet e dos César das Neves, o vaselina Ulrich e o Relvas da consciência tranquila. Tenho a certeza de que caberão todos a uma mesma mesa, a mesa dos caras-de-pau. À bondade, caridade e solidariedade da tua estirpe, eu continuo a preferir sentar-me à mesa da liberdade, da igualdade e da fraternidade… Pedro.
Publicada por hmbf em 14:56 4 comentários:
Etiquetas: Imaginação de Van Zeller
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.pt/2012/12/bondade-caridade-solidariedade.html

Via Láctea...


Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto,
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E ao vir do Sol, saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado-amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


(Olavo Bilac)

Solidariedade, É Obrigatório...


Uma semana antes da tragédia da Madeira, cujas consequências totais ainda são incalculáveis, publiquei esta foto da Doca Das Cavacas, (local onde vou frequentemente degustar algum marisco) no Lido (Poema da Mente). Era um pronúncio que a natureza nos estava a avisar. Falei com alguns amigos no Funchal, disse-hes das minhas preocupações, mas a rapaziada deitou as "preocupações" para trás das costas.

Sou talvez dos técnicos de Engenharia que mais inspecções técnicas fez aos túneis da Madeira e às suas envolventes! Nas diversas ocasiões sempre fiz alguns reparos à forma como se ocupava ou desviava indevidamente as linhas de água, recebi sempre olhares "superiores" de palermas que nada sabem da vida ou da forma como a natureza reclama os seus direitos!

Este meu lamento não é doutrina soberana sobre um território íngreme, que em condições de máxima pluviosidade, sofreria sempre consequências devastadoras...nas partes mais baixas.

Hoje, de novo na Madeira por imperativos profissionais, constato a justeza de reparos e avisos! Há meses, também avisei para o buraco em que o nosso clube se encaminhava, caso não houvesse uma rápida inversão das prioridades, na altura, as mentes "superiores e apalermadas" mostraram o seu desdém, hoje estamos no abismo para que nos conduziram alegremente, com muitas conveniências irresponsáveis internas! Cujo silêncio é aterrador!

Mas o que me leva a escrever este post, é que o Belenenses, é conhecido na Madeira pelo equipa que melhor futebol perfumou a ilha, depois do San Lorenzo de Almagro, aquando do périplo por África! Sabem isso as gerações de 40 e 50 (penso que o concidadão J.Caldeira, sabe muito bem de que falo), existindo adeptos azuis em número incalculável! Daí que fosse imperioso que o nosso Clube se mostrasse desde a primeira hora solidário com A POPULAÇÃO MADEIRENSE, disponibilizando as suas equipas de futebol, andebol e futsal para quadrangulares a efectuarem-se no Funchal, com receitas para ajudarem as populações, afim de mostrarmos ao "Mapuata" Jardim, que não confundimos as situações.

Aliás, nesta crise de Directores que nada sabem de futebol, gestão desportiva e marketing, e não conseguem patrocínios, se eu fosse responsável máximo do Belenenses, teria feito uma parceria com a C.M. de Lisboa, para melhor garantir o futuro, inserindo mensagens publicitárias nas camisolas do futebol, estilo, Lisbon, Word Capital.