Mayday...Mayday...(Ainda Não Fala Mas Está Sempre Muito Atento)


Tenho um amigo que gosta de pregar muitas partidas aos conhecidos, dá-lhe prazer gozar com a vizinhança.

Este rapaz passa a vida em constantes viagens, não sabemos que negoceia, que lhe serve de âncora ou ganha pão.

Tem sempre um destino predilecto, o "paradisíaco" Brasil.

Especula-se que é Adorador da Nona Maravilha do Mundo, a obra prima do português neo-colonialista, a Mulata.

Gosta de bumbuns, caipirinhas, água do côco, esnobeiras.

Ultimamente começou a ser visto na companhia de supostos empresários de jogadores, começou-se logo a falar-se que passara a comissionista dos ditos.

A vizinha do 7º.A, coscuvilheira-mor do prédio, cismou que havia de descobrir o enigma do "magnata", vai daí bolou um plano, pedir-lhe que em troca dos favores que lhe concedia ex-gracias (conservação e limpeza do andar, quando este está ausente), lhe fosse ofertado um papagaio, mas que já falasse e soubesse algumas particularidades da sua vida, afim de poderem manter um diálogo profícuo e interessante!

Esperava ela que o artista ao manter o papagaio algum tempo em seu poder, afim de lhe ensinar particularidades da vida da vizinha, o bicho registasse o dia a dia do magano, para depois lhe soltar a língua (quando em seu poder).

Ora o nosso estroina, de cada vez que regressava do Brasil, só ao chegar à porta do prédio, voltava a lembrar-se do pedido da amiga, fugindo a sete pés de eventuais encontros inesperados.

Certo dia, chegado ao aeroporto de Lisboa e tendo-se recordado da promessa uma vez mais não cumprida, lembrou-se de ir à Feira do Relógio, tentando remediar a situação. Calcorreou a dita, mas papagaios, nem sombra, ao invés, deparou-se com duas ou três corujas de impecável plumagem, acabando por adquirir a ave de maior porte.



Ao chegar a casa, rebuscou palavras de circunstância num bilhete que pendurou na base da gaiola, pedindo desculpa à vizinha por não entregar o "papagaio" em mão, rogando para que aquela tivesse paciência com o dito, dado a sua aparente timidez.

Daí em diante andou sempre à coca, fujindo de encontros indesejáveis com a vizinha.

Passados tempos e dando de cara com esta e antes que fosse desmascarado, resolveu tomar iniciativa, perguntando-lhe: - ...então, o papagaio já fala?...ao que respondeu a espertalhona com malícia: - Não fala! Mas está sempre muito atento às conversas...

Nesta era da comunicação global, todos conhecemos algumas aves pernaltas, que também não falam, não se defendem (dos que os acusam cara a cara de serem vermelhões travestidos), mas que estão sempre muito atentos ao que se passa nos blogues.