Lagartada ao Fundo (1-0)

Numa noite de borrasca,
Tremiliques cá e lá,
Uns incitam os da casa,
Outros gritam que não dá.

Num mar tão encapelado,
Há muito marujo à deriva,
Chamam o gregório fanado
Em cada onda qu´agita.

Na barcoita do matreiro,
Segue mestre Zé Pedraza,
É palmeta do Barreiro,
Chuta muito e manda brasa.

Quase no meio do rio,
O gajeiro grita terra,
E transido de frio,
Sai um charuto prá gleba.

Lagartixas meio atónitas,
Inda tentam replicar,
Mas o rombo é tão fundo,
Lá acabam por s´afundar.

Vindo das profundezas,
Apareceu um tal de juno,
Que fez tantas safadesas!
Tentando mudar o rumo.

Se esta odisseia marítima,
Fosse no tempo do Gama,
Nem a polícia marítima!
Salvaria este sacana.


JAN