Ninguém Entrega os Seus Sonhos a Quem os Pode Destruir?

Ouvi várias vezes a um velho professor de filosofia rezingão, sempre que as suas tiradas não eram suficientemente entendidas e não se repercutiam nos debates filosóficos que se seguiam: "...ninguém minimamente inteligente, entrega duas vezes seguidas os seus sonhos a quem os pode destruir..., abria a porta da sala e saía, deixando a classe sem fala...

Esta "máxima" sempre esteve presente nos meus assuntos profissionais e pessoais, nomeadamente quando crio projectos de interesse geral, só os discutindo e aperfeiçoando com pares que entendam que só faz sentido viver-se a vida, dando a conhecer aos outros um pouco dos nossos conhecimentos, desde que devidamente comprovados na prática.

Chamem-lhes serviço público ou comunitário, se quizerem!

Daí que tudo aquilo que sei e aprendi, está ao dispor de qualquer colega, graciosamente, sempre foi assim e será. Comigo não há segredos de polichinelo...

E não me tenho dado mal, embora saiba que há uma larga fatia de astutos, que nada fazem sem segundas intenções! Normalmente são aqueles que gostam de "pastar" à cabeça do remanso do rebanho, porque aproveitam as ervas e raízes mais tenrinhas, soltando de vez em quando os convenientes balidos, para passarem despercebidos.

Mas, há sempre um mas, julgam-se muito inteligentes, quando lá no fundo não passam de assustados cobardes, que mal percebem que acabou o pasto, desatam a protestar novos amos e novos sonhos, requentados, porque o sonho é sempre o mesmo, terem o dia a dia assegurado, independentemente de já terem perdido a posição vertical, há muito, ou a cerviz, como se diz nalguns sítios do rincão.

Esta posição de cócoras é compreensivel na "vassalagem servil e sem futuro próprio", mas é sem nexo em seres livres e soberanos, mesmo que possuídos por exacerbadas paixões!

Se o rezingão fosse vivo, lá teria mais um motivo para abrir a porta e ir apanhar ar fresco, porque afinal, ele sempre teve razão, há mesmo quem goste de "mandar" os sonhos para os algozes, talvez porque nunca foram o que os seus corações ditaram em primeiro lugar... e quando aparece a sobretaxa de esforço, rasgam o cartão e "lavam" as almas, que não as mãos.

Eu como muitos outros, preferimos manter o sonho vivo e seguir outra estrada, incompreensivel, mais dura, mas mais regeneradora, como diria Robert Frost:

Diante de mim havia duas estradas, eu escolhi a estrada menos percorrida, e isso, fez toda a diferença...