A democracia representativa tem destas coisas ! Boa demais para a bandidagem, mesmo a intelectual, mas madrasta para os inocentes e os crédulos!
Com o advento dos estados providência, apareceram aqui e acolá, como cogumelos, os gauleiters, os caciques, os eusinhos, até os bandidos de vão de escada! Todos com direitos consagrados na Constituição da República, mas sem nenhuns deveres para com os seus concidadãos que vão atropelando e que labutam arduamente, respeitando as normas.
Todos democratas de hoje, porque ontem, eram "proprietários indefectíveis" das suas verdades de vida, sejam elas quais fossem. Sabendo-se que na maioria dos casos, quando fora de portas, batiam com a mão no peito (jurando inocência e trejurando transparência) e nas "auto estradas do facilitismo", consumiam a maior parte do tempo conspirando, gozando, enriquecendo e espezinhando, em grande parte dos casos, sempre o suor alheio.
Se me perguntarem se preferia o antes, relativamente ao depois, direi sem hesitar. NÃO! O antes era muito negro ou em vários tons de cinzento (como glosa um amigo meu), mas perfeito para serventuários, bufos e invertebrados.
No entanto, conheci neste período asqueroso, de 1958 a 1974 Abril = 16 anos (relembro que nasci em 51, e portanto tenho consciência colectiva desde os meus 7 anos, ou seja 1958, altura em que entrei para a primária oficialmente, mas já andava no Colégio Júlio Dinis, vulgo, colégio do Caroço {Dinheiro no Funchal}, desde os meus 4 anos), exemplos de dignidade, amor ao próximo e amor próprio, a toda a prova. Direi mesmo inexcedíveis!
Nunca tive grande apreço pela Igreja Católica, embora pertencendo a uma família fervorosa e tradicional de Católicos Apostólicos Romanos (a minha avó materna, mesmo depois do 3º. AVC, assistia à missa, em latim, sempre ajoalhada na sua capela particular, até vésperas da sua altiva partida {Saravá, Avó Maria José Teixeira }). Até qualquer dia ...
Mas retenho a prática do Padre Jardim Gonçalves, esse mesmo, filho da Drª. Bernardete, proprietária e Directora do Colégio, mãe igualmente do futuro Engº. Jardim Gonçalves, posteriormente banqueiro de sucesso deste país (conta-se que no seu seio familiar: era tido por homem afável, rigoroso para com as boas práticas de proteger e preservar a natureza, bom pai e bom chefe de família).
Ora voltemos ao Padre Jardim Gonçalves, Alma Sã, Benfeitor Emérito, despojado de bens terrenos, embora com fortuna pessoal.
Numa altura em que muita família família de posses mandava os filhos para o seminário, a batina era um passaporte de não ida à tropa, o Padre Jardim ofereceu-se voluntariamente para a India, donde regressou mais puro e mais agastado com os poderes públicos! E posteriormente para as Áfricas Portuguesas.
Nos entretantos, dispendia a sua fortuna pessoal pelos de menos posses, segundo a sua fé cristã.
É que isto de batermos com a mão no peito, ficarmos as botas à terra e propalarmos que connosco, acabaram as quintinhas, é uma falácia... quando a verdadeira prática é de compadrio e andar à nora, sem projecto e sem rumo certo, apenas zigue-za-guiando e penhorando o futuro! Mais uma vez...
Porque com cada medida autista tomada, trazemos mais fome, aumentamos as desigualdades e negamos a tal solidariedade cristã, sejam filiados e adeptos da Casa Real ou simples falangistas.
Até podemos no imediato ter algum aparente sucesso! Tal como a poeira! Enquanto não for sacudida ou limpa, tapa quase todas as misérias, mas mal aparece o espanador, expõe toda a verdade, nua e crua.
O futuro constroi-se e garante-se com inteligência! Pensando exactamente em termos futuros e tendo em atenção o ADN! Com serenidade e investindo! Com medidas de rigor, mas sem cegueira, golpes sujos ou desesperados! Sob pena ...



