Todos os fins de ano assalta-me um sentimento misto. De alegria e esperança por mais um ano que aí vem, depressa (e como voam nestes tempos), mas também um sentimento de tristeza por voltar mais uma página de mais um ano sobre a memória de todos os meus amigos e familiares, em especial os meus avós de quem sinto uma falta enorme já tantos anos passados. Sinto-os em mim presentes, sinto-os nos meus Pais e sinto-os nos meus filhos, em traços, expressões, sorrisos, olhares e silêncios. Prevalece apesar disso o sentimento da esperança, em todas as coisas e personificados nos meus filhos que são o meu futuro. Prevalece também a memória de todos aqueles que nos deixaram em matéria mas que continuam entre nós dessa forma diferente.
Nestas despedidas de fim de ano, quis a má sorte e a inevitabilidade de uma doença prolongada (estúpida expressão que se generalizou para não dizer aquela palavra maldita) que nos deixasse mais um dos nossos. Um Belenense que não vou adjectivar, de quem discordei na sua visão recente do Belenenses mas de quem não posso ignorar uma folha de serviço com alguns contributos muitíssimo importantes em momentos muito complicados da nossa existência colectiva.Homero Serpa faleceu esta madrugada, aos 80 anos. A nossa bandeira está a meia haste.
Sem a devida licença, vou copiar as palavras de um querido amigo e também Grande Belenense que estou certo me perdoará. Cito Manuel Miguel:
"Hoje estamos mais pobres. Faleceu o Homero Serpa.
Enquanto Belenenses devo agradecer-lhe o prazer de com ele ter convivido durante alguns anos e ter tido a felicidade de admirar o seu Belenensismo.
Ponderado, erudito,o azul corria-lhe nas veias. Sobre o Homem escrito de quem tenho diversos livros, quem sou eu para o classificar!!!
Que descanse em paz caro amigo."
Nuno Gomes


