Vitimização, "director's cut"*, versão 2008 – Parte 1

* director’s cut, corte do realizador, do chefe ou responsável máximo. Literal – Director

A cena passa-se em Belém.

13 de Janeiro de 2008. Antes das 21:15, hora do início da 16ª jornada do campeonato nacional (bwin liga), como se de mais exemplos precisassemos da incapacidade da Direcção conduzir os destinos do Clube (e da SAD porque no fundo-no fundo é a mesma coisa), fomos brindados, ainda sem saber, com mais um acto de incompetência.

Três horas mais tarde, estala a bomba. No mínimo, sendo bastante simpático, amigável até, se calhar condescendente demais na opinião de outros, direi apenas que Cabral Ferreira e a equipa dirigente de quem é máximo responsável revelaram desconhecimento das regras e dos regulamentos das competições profissionais de futebol.

Voltando um pouco atrás, podemos discutir até ao infinito se a FPF devia ou não ter impedido ou avisado o Clube sobre a impossibilidade de utilizar de facto o jogador Meyong apesar de poder aceitar a sua inscrição (porque já jogara por dois clubes na mesma época desportiva e nenhum deles pertencia a associação com calendário desportivo diferente - excepção contemplada pela FIFA no regulamento de transferências de jogadores da FIFA).

Ora sendo possível questionar a postura da FPF e se as consequências de um licenciamento do jogador (que talvez não pudesse ter sido emitido), não é possível isentar os responsáveis do Belenenses, na pessoa do seu Presidente da SAD e do Clube, dos seguintes factos:

- Desconhecimento da situação do jogador no que respeita à sua utilização em dois outros clubes na mesma temporada desportiva.
- Desconhecimento da necessidade de conhecer a situação do jogador nos termos do ponto anterior
- Desconhecimento do regulamento de transferências e das suas consequências e gravidades

A prova do desconhecimento e da desorientação de alguém que em tempos tanto pugnou (e bem) pela sua aplicação e respeito estrito, o que o leva a desvalorizar a atenção que os profissionais da área lhe têm de dar no desempenho competente das suas funções, está aqui, no som seguinte:

Não é uma montagem ou peça humorística de algum imitador de vozes. No site da RTP pode ver-se o mesmo em vídeo. É mesmo Cabral Ferreira aos microfines da Antena1!

É a admissão de incapacidade. Os verdadeiros competentes sabem que alegar o desconhecimento da lei não os isenta de a ela estar sujeito nem das suas consequências.

A admissão da culpa é dada pela demissão do Carlos Janela.
(Que terá dito já a esta hora no tal hotel em conferencia de imprensa? Pergunto-me...)

O que uma equipa competente composta por elementos de escolha exclusiva e de confiança total do líder que teria de ser igualmente competente deveria ter feito era:
- Conhecer os regulamentos e estar prevenido para a situação,
- Não ter retirado o advogado do processo de análise de contratação do jogador (com os dados disponíveis não me é possível tirar outra conclusão)
- Se apesar disso mantivesse o interesse no jogador, mesmo antes de firmar o contrato deveria obter o esclarecimento urgente e cabal e a autorização para a sua utilização por parte de todas as entidades que tutelam as competições (em simultâneo FIFA e FPF).
- Firmando o contrato mesmo ainda sem essa autorização (o que já era elevado risco) não poderia utilizar o jogador até obter a resposta não para a inscrição mas para a utilização.

Houve má-fé ou chico-espertice? Não, pelo contrário. Muito pelo contrário. O que não houve também foi competência, não se tendo observado nenhum dos pontos da lista anterior

Vemo-nos assim sujeitos às consequências de não ter essa equipa competente dirigida por alguém competente. São várias e estão à vista, sendo algumas muito objectivas e outras talvez mais subjectivas (passiveis de opinião diversa).

Objectivas:
- Risco real de perda de pontos e afundar da equipa de futebol na tabela classificativa,
- Desestabilização dos profissionais e desmotivação decorrente do abaixamento de objectivos - os prémios dos jogadores deverão ser ajustados. Esta desestabilização que deve ser combatida com muito e total apoio por parte de responsáveis técnicos e remanescente estrutura organizativa, além de um reforçado apoio da massa associativa nos estádios.
- Custos com um jogador que não pode ser utilizado no mínimo até estar resolvido o caso. Mesmo da sua resolução dificilmente resultará a possibilidade de o voltar a utilizar pela duração do seu contrato, ou seja, até ao final da presente época desportiva.

(talvez) Subjectivas:
- Reabrir de feridas não saradas e traumas recentes resultantes de prolongados processos na justiça desportiva,
- Desmobilização de sócios conduzindo ao afastamento dos adeptos e à diminuição da massa associativa.
- Degradação da imagem do Belenenses, perda do seu peso no conceito público e reacordar de "velhos" ódios.


Posto isto e estando claro que não houve a competência necessária e tendo o Presidente da SAD e do Clube toda a responsabilidade na escolha da equipa e logo naquilo que ela faz, preparamo-nos agora para a segunda parte do filme "Vitimização" que tanto sucesso já teve no passado recente.

Vai certamente estrear nas nossas TV's, Rádios, Jornais e blogs azuis, em simultaneo com o sempre confuso - já explico porquê - filme "Temos de nos unir", como forma de prolongar a sua permanência à frente do Clube na já estafadíssima argumentação dos perigos de rupturas directivas.
O que é um perfeito disparate, diga-se, uma vez que o processo está nas mãos do advogado de quem aliás nunca deveria ter saído a responsabilidade de verificar e dar pareceres sobre os contratos que se assinam, facto que poderá estar na origem desta situação. E se, a páginas tantas, um advogado que se revelou tão competente há dois anos, tudo indica que terá deixado de ser solicitado nas contratações

Temos, de facto, que nos unir, mas em torno da equipa e no seu apoio no campo.

Por isto a Petição pela realização da Assembleia-Geral Extraordinária, acto de cidadania belenense, executado por um mínimo de 250 sócios efectivos (cautelosamente só da categoria A já que os estatutos são contraditórios nos seus artigos 38º e 72º) há mais de 12 meses consecutivos, maiores de 18 anos, faz todo o sentido, também por esta questão Meyong mas longe de ser apenas por ela.

Mas não tardarão movimentações subterrâneas e de contra-informação a dar conta da “necessidade de unir em volta do Belenenses” (leia-se do Presidente) e dando ao ouvido incauto o sopro da sereia

Brevemente voltarei ao tema "Desmistificar a AGE", ou “Quem tem medo do lobo mau”

Nuno Gomes

PS: E O MARCO FERREIRA? SE O JOGO QUE FEZ PARA O TORNEIO DO GUADIANA FOI MESMO CONSIDERADO JOGO OFICIAL, ESTÁ NA MESMA STUAÇÃO, CERTO???? AGORA QUE O JANELA JÁ NÃO PODE SER O CULPADO DESSA O MELHOR É VERIFICAR. EU SE FOSSE UM DOS VP COMEÇAVA A TIRAR À SORTE. JÁ CHEGA DE PREJUÍZO NÃO?