O Belenenses tem várias equipas. As principais ao olho do adepto, são as que estão presentes nos campos de competição desportiva e têm por obrigação defender o prestígio e operacionalidade das modalidades que representam. A maioria delas até consegue.
Há outras equipas. Algumas não trabalham como equipa e pelos vistos actuam com independência. Aliás no caso em questão, é mesmo assim que deve ser. Mas com o mínimo de entendimento, antes de fazerem demonstração de desarticulação.
Isto é o que se está a passar no nosso clube. Ninguém de ânimo leve deve tomar partido pelas opiniões definidas em comunicado, pela Direcção ou pelo Conselho Fiscal e Disciplinar do clube. Os que como eu acompanharam a discussão das alterações aos Estatutos do C.F. “Os Belenenses, bem como os demais, não podem garantir se as razões estão correctas dum lado ou do outro.
Isto porque não está tornado público perante os associados, o conjunto de alterações desses Estatutos, aprovados em Assembleia do clube (em condições deploráveis, mas aprovados) e segundo se sabe já publicados em Diário da República há tempo q.b. Ou seja, não sabemos que leis regem o clube.
O comunicado da Direcção, agora emitido, merece tanta credibilidade como outros compromissos assumidos pela mesma e com os resultados invisíveis por todos reconhecidos.
Esta equipa, de que fazem parte a Direcção e o Conselho Fiscal, concorreu no mesmo barco às últimas eleições. E ainda lá estão! Também não vou questionar as razões apresentadas pelo Conselho Fiscal, mas perante os nossos olhos está bem visível uma cisão que vem angustiar ainda mais os que voluntariamente ou democraticamente aceitaram e acederam apoiar o comando desse barco.
A verdade é que o nosso clube está em maus lençóis. Basta que a mais representativa modalidade, porque está no nome oficial do clube e muito deu à dignidade dele em tempos que já lá vão, esteja em estado deplorável e vergonhoso.
Esse estado é ofensivo a todos que têm orgulho dum Belenenses, senhor do desporto português, no futebol no primeiro plano de presenças no maior escalão do Futebol de Primeira, no qual tem quatro estrelas de campeão.
Honestamente não sei o que poderá ser feito. Ou melhor sei, mas não vejo como, pelo menos a curto prazo. Se os vícios, “as capelas”, as sociedades secretas paradoxalmente à vista de todos, continuarem a sugar a dignidade dum nobre de noventa anos, triste e injusto fim ele terá.
Gostaria de ver renascer uma unidade no Belenenses. Gostaria de ver naquele tapete verde do estádio mais bonito do país, a mesma simbiose entre equipa de campo e equipa de apoio na bancada. Tal como nos acostumámos a ver no Pavilhão Acácio Rosa ou nos pavilhões visitados onde sempre há belenenses.
Urgentemente precisa-se união. Mas lamento dizer que muito dificilmente isso será possível se não se inverter a história presente, aquela que vivemos, desconsolada e inoperante. Quando duas unidades eleitas na mesma lista se digladiam…E o que é mais grave é que os resultados estão à vista (ou mais acertadamente a falta deles). A equipa principal de futebol está na segunda divisão por demérito próprio. As carências e dificuldades às modalidades ganhadoras que as há como todos sabem, tornam-nas vulneráveis e susceptíveis de fracassarem em qualquer momento de sobressalto e falhanço da entidade principal, definitivamente incapaz e incompetente para segurar o leme. E isto apesar dos sacrifícios e dedicação dos responsáveis dessas modalidades.
Que ninguém tenha ilusões quanto ao retorno e à entrada de novos sócios. Quem terá empenho em se associar a um clube onde a própria direcção não faz o mínimo esforço para captar a sua adesão? Onde as promessas eleitorais se esfumaram entre menos verdades prometidas? Onde o entendimento entre os próprios corpos responsáveis deixa muito a desejar?
Pobre e querido clube. Não merecias nada disto ao fim de noventa anos.
Leia a Política de Comentários e Princípios «Belém Livre»
Contacte-nos por email: belem.livre@gmail.com
Tragicomédia em um só acto
Publicado por Nuno Gomes @ 3.3.10 Etiquetas: Vitor Gomes


