Não serei (mais) como D.Quixote

Dois anos e meio após a inauguração deste espaço, em que retomei este tipo de intervenção, julgo estarem esgotadas as razões de continuar a escrever o penso e defendo para o Clube.

O que considero essencial e carente de imediata acção (já há 6 anos) identifiquei e desenvolvi nas áreas em que me pareceu que o contributo que pessoalmente poderia dar serviria. Depois alonguei-me até assuntos, também para mim essenciais, para os quais não me considero especialmente habilitado mas que, face ao vazio de acção directiva e mesmo de reflexão numa forma geral, entendi ser importante lançar o debate.

Esta decisão é pessoal e deve-se, mais que a indiferença geral por parte dos sócios, à indiferença e cegueira de direcções tão variadas (?) como uma direcção de Sequeira Nunes, duas de Cabral Ferreira, uma de Fernando Sequeira (breve, é certo), uma Comissão de Gestão e a presente direcção de Viana de Carvalho. São cinco (5) direcções e uma Comissão de Gestão. Parece muita gente nas tintas. No fundo, nem por isso, são quase sempre os mesmos com leves nuances.

Perante tanta indiferença, perante tanto quer-que-se-lixe generalizado, quer desportiva ou associativamente, de sócios e dirigentes, corro o risco da repetição ou de divergir na escrita para coisas pouco ou nada relacionadas com o que considero essencial ao Belenenses, apenas para "encher chouriços". Não o farei.

Cansa. Por mais que tenha a consciência da justeza das minhas convicções, não tenho feitio de D. Quixote nem de porteira do "prédio" pelo que recuso os papéis de bobo-da-corte ou de alcoviteira.

Os sócios do Belenenses, nos quais obviamente continuarei a incluir-me, têm exactamente o que merecem. Esta estirpe dirigente que nos tem governado (e que não vejo que o deixe de fazer a tempo de não morrer o próprio Clube, pelo menos na dimensão em que os mais antigos conheceram) enxovalham-nos enquanto adeptos perante os rivais do Futebol (prima razão de ser do Clube), encolhem o grande Belém repetidamente perante os «três estarolas» protegidos da nação (ou estado), os camarário-dependentes-novo-ricos e outros chicos-espertos da praça.

Os sócios e ex-sócios do Belenenses têm o que merecem, na exacta medida em que mostram inequivocamente a sua indiferença, ao eleger continuamente estas pseudo-elites, estes pseudo-dirigentes, inconscientes (não vêm ou não percebem o que se passa); impotentes (se percebem o que se passa já não têm capacidade de criar) e incapazes (não têm capacidade de fazer mesmo que saibam o quê).

Depois de tanto tempo face a esta situação, face à evidência desta forma de participação não servir para nada e por pura salvaguarda da dignidade pessoal, manter-me-ei apenas na bancada - o lugar certo -, sempre que possa e sinta que o Belém vive, em todas as manifestações desportivas em que o Belenenses se ergue, sabendo lá no fundo que lá estarei mesmo em algumas que não o mereçam.

Photobucket

Resistirei apenas aí, enquanto puder e conseguir. Descrente em que algum dia este cenário de auto-destruição e indiferença geral se altere (só por um milagre...) sinto que não vale a pena reflectir, ter opinião e pensar e planear acções fundamentais e possíveis para o Belenenses. Quem pode, não quer saber e está mais preocupado consigo próprio e com a sua permanência no "poder". "Poder" que, aliás, nunca me interessou, não interessa, nem nunca interessará.

Belenenses, Sempre! D.Quixote, nunca mais.