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Vamos Cambater a Crise, Recuperando o Dinheiro que nos Devem...

Penthouse 10.11.10

Título: Devem-me dinheiro.

José Sócrates em 2001 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou. Deve-me dinheiro.

António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP.

Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. Num ano.

Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva. Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil.

António Guterres deve-me dinheiro porque vendeu a EDP. E agora a EDP compra cursos em Nova Iorque para Manuel Pinho. E cobra a electricidade mais cara da Europa. Porque inclui a taxa da RTP para os ordenados e bónus da RTP. E para o bónus de Mexia.

A PT deve-me dinheiro. Porque não paga impostos sobre tudo o que ganha. E eu pago. Eu e a D. Isabel que vive na Cova da Moura e limpa três escritórios pelo mínimo dos ordenados. E paga Impostos sobre tudo o que ganha. E ficou sem abonos de família. E a PT não paga os impostos que deve e tenta comprar a estação de TV que diz mal do Primeiro-ministro.

Rui Pedro Soares da PT deve-me o dinheiro que usou para pagar a Figo o ménage com Sócrates nas eleições. E o que gastou a comprar a TVI.

Mário Lino deve-me pelos lixos e robalos de Godinho. E pelo que pagou pelos estudos de aeroportos onde não se vai voar. E de comboios em que não se vai andar. E pelas pontes que projectou e que nunca ligarão nada. Teixeira dos Santos deve-me dinheiro porque em 2008 me disse que as contas do Estado estavam sãs. E estavam doentes. Muito. E não há cura para as contas deste Estado.

Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas.

E os arquitectos também.

E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro.

Os que construíram dez estádios de futebol devem-me o custo de dez estádios de futebol.

Os que não trabalham porque não querem e recebem subsídios porque querem, devem-me dinheiro. Devem-me tanto como os que não pagam renda de casa e deviam pagar.

Jornalistas, médicos, economistas, advogados e arquitectos deviam ter vergonha na cara e pagar rendas de casa. Porque o resto do país paga. E eles não pagam. E não têm vergonha de me dever dinheiro.

Nem eles nem Pedro Silva Pereira que deve dinheiro à natureza pela alteração da Zona de Protecção Especial de Alcochete. Porque o Freeport foi feito à custa de robalos e matou flamingos. E agora para pagar o que devem aos flamingos e ao país vão vendendo Portugal aos chineses. Mas eles não nos dão robalos suficientes apesar de nos termos esquecido de Tien Amen e da Birmânia e do Prémio Nobel e do Google censurado. Apesar de censurarmos, também, a manifestação da Amnistia, não nos dão robalos. Ensinam-nos a pescar dando-nos dinheiro a conta gotas para ir a uma loja chinesa comprar canas de pesca e isco de plástico e tentar a sorte com tainhas. À borda do Tejo. Mas pesca-se pouca tainha porque o Tejo vem sujo. De Alcochete. Por isso devem-me dinheiro. A mim e aos 600 mil que ficaram desempregados e aos 600 mil que ainda vão ficar sem trabalho. E à D. Isabel que vai a esta hora da noite ou do dia na limpeza de mais um escritório. Normalmente limpa três. E duas vezes por semana vai ao Banco Alimentar. E se está perto vai a um refeitório das Misericórdias. À Sexta come muito. Porque Sábado e Domingo estão fechados. E quando está doente vai para o centro de saúde às 4 da manhã. E limpa menos um escritório. E nessa altura ganha menos que o ordenado mínimo.

Por isso devem-nos muito dinheiro. E não adianta contratar o Cobrador do Fraque. Eles não têm vergonha nenhuma. Vai ser preciso mais para pagarem. Muito mais. Já.

(Mário Crespo)

Azul d´Esperança em Vez de Cinzentos (Mesmo que Pontuais)...


Na minha vida profissional e pessoal tenho tido um pouco de tudo, jovens com mentalidades de velhos, e "velhos" com uma jovialidade irreverente e cativante.

E é deste amálgama de energias que se enfrentam e confrontam todos os dias, que se vai fazendo o futuro de um país, que uns teimam para que seja o mais possível cinzento e outros desejam mais azul.

Os indígenas da arte de ludibriar povos e civilizações, mormente alguns profissionais da política (que não cursaram ciências humanas e políticas) e nunca fizeram nada na vida particularmente, a não ser viver do suor dos impostos colectivos, chamam-lhe choque de gerações.

Curiosamente, alguns destes "velhos" tiveram como base os antigos cursos industrial ou comercial, que os preparou muitíssimo bem para os respectivos inícios profissionais, consubstanciados e sublimados posteriormente com licenciaturas nas mesmas áreas, havendo outros que evoluíram para licenciaturas, mestrados e doutoramentos em áreas mais filosóficas (ciências, comunicação, história, arte, etc.).

Bem, e a verdade é que ficam arrepiados quando confrontado com o cinzentismo e o facilistismo actuais! Não por incompreensão do fenómeno "político-sociológico-actual", mas por teimarem em quererem erradicar o "analfabetismo interesseiro" que por aí grassa, o que convenhamos, não é tarefa fácil, pelo menos nos tempos mais próximos.

Todos sabemos que políticos cinzentões, geram estados de alma negros, com os subsequentes séquitos de glutões cinzentinhos em redor.

Por isso, nada melhor que soltar umas gargalhadas sinceras, encher os pulmões de ar puro, pegar no cavalete e numa tela, subir à montanha mais aprazível e transportar a natureza que os nossos olhos atingirem para uma paleta de cores universais, fazendo no entanto sobressair bem no meio, o Homem Jovial e Amigo do Azul Luso, reconstruído com lágrimas e risos q.b. de : Abeleira, Agustina, Alberto, Alegre, Amália, Augusto, Aleixo, Antero, Aquino, Ary, Bandarra, Barros, BBastos, Bento, Bernardim, Bocage, Bordalo, Botelho, Brandão, Branquinho, Camões, Canotilho, Caraça, Cardoso, Castrin, Castro, Centeno, Cesário, Cezariny, Cláudio, Cortezão, Cunhal, Cutilheiro, Dantas, Damião, D.Dinis, Dionísio, Da Nóbrega, Dórdio, Eça, Fialho, Florbela, Freire, Garret, Gedeão, Gomes, Herberto, Isabel, Knopfli, Lamas, Lídia, Llosa, Lobato, Lourenço, Luandino, Mia, Moita, Moura, Mourão, Namora, Navarro, Nemésio, O´neill, Pacheco, Pascoais, Pêro, Pessoa, Portela, Prado, Raúl, Rego, Romeu, Ruy, Santareno, Saramago, Seabra, Sena, Sofia, Soeiro, Sttau, Támen, Teresa, Torga, Velho, Viegas, Vilaverde, Vilhena, Virgílio, Vitorino, Urbano (e tantos outros que morrerei sem poder ler e compreender), no que seria um Mosaico ou Realejo Único da Lusitanidade.

Mas agora reparo, desta minha janela de Seteais (minha por breves instantes), o céu apresenta-se nublado, num cinzento rosácio, impedindo o astro rei Sol de exibir-se aos olhos dos Portugueses, logo hoje, naquele que seria dia de eclipse parcial e momentaneamente negro.

Talvez seja um indício poético, mas nem por isso menos prometedor, de que, apesar de todas as loucuras dos Eusinhos actuais e passados, a mãe natureza continua generosa para com todos aqueles, como nós Portugueses, que respeitam em regra, o seu semelhante, em qualquer latitude..., logo, o futuro só poderá ser mais azul, apesar de todas as trapalhadas em que nos meteram, sem qualquer responsabilidade objectiva da maioria de todos nós.