Os adeptos britânicos têm, de um modo geral, uma postura face ao jogo de grande participação e animação. Infelizmente têm também um histórico de violência que não é recomendável, mas que é protagonizada por um grupo reduzido de energúmenos. O que ressalta de modo absolutamente positivo é o constante apoio principalmente por cânticos. A nota interessante aqui é que não me refiro apenas a ULTRAS. Refiro-me a todo o público. De uma forma geral, não há adepto indiferente ou, havendo, não se nota.
Porquê? Simples! Porque para eles o futebol é uma festa! É copos? É! Mas é também convívio, é partilha de um ideal, é apoio sem tréguas ao seu clube de eleição. E, se perderem, continuam a apoiar a aplaudir e a cantar (ok, a beber também).
Neste campo destacam-se os adeptos de dois clubes que pela paixão que põem neste apoio. Os cânticos são para mim o que mais entusiasma. Neste campo destaco dois clubes que, de todos que adoptaram para hino máximo uma música dos anos 40 - “You’ll Never Walk Alone” (escrita por Rodgers e Hammerstein para o musical Carousel), o Celtic de Glasgow e o Liverpool FC são os dois mais famosos.
É impossível ficar indiferente à forma como esta música é cantada nas bancadas, não por claques mas por todos os adeptos de forma geral. Este ambiente que aqui colocamos é das bancadas de Liverpool que, apesar da cor menos aconselhável, não deixa de me arrepiar e pôr-me a pensar como gostaria de sentir este pulsar na nossa bancada.
No Belém, reina o amorfismo e o "deixa-me-chegar-5-minutos-depois-de-começar-e-sair-5-minutos-antes-de-acabar-que-toda-a-gente-vê-que-visto-Hugo-Boss" além do "estou-me-nas-tintas".
Resta-nos a Fúria Azul como fiel depositário desta alegria e desta festa que é o futebol. E ainda há quem se incomode com o barulho que faz a Fúria, neste Clube de engravatados.
Pergunto-me... Porque será e quando foi que aconteceu e porque aconteceu, sermos hoje uma massa amorfa, incapaz de apoiar a sua equipa, de acompanhar os cânticos, de inventar novos, de acompanhar com palmas ao menos??? Estamos de facto (a maioria dos adeptos e sócios do Belenenses) a anos-luz desta entrega à festa e à paixão.
Mas o momento é crítico. Temos o mais rapidamente possível que afastar o espectro da ameaça que sobre nós paira. Refiro-me à possível perda de pontos que nos apoquenta.
Por isso todo o apoio é pouco e é preciso que haja quem o saiba pedir e quem o saiba dar. Devemos todos, onde é mais importante - no campo - prestar todo o apoio possível. Comecemos por descruzar os braços ou tirar as mãos dos bolsos, chegar mais cedo à bancada e de pé aplaudir e cantar o hino do Clube, quando a equipa entra em campo. A alegria, a festa, a animação só pode vir de nós todos e se assim for propaga-se ao vizinho do lado e aos vizinhos deste. E chega ao campo. Não duvidem que chega.
Nuno Gomes


