Petição AGE: Ponto de Situação

Penso que é de toda a justiça fazer um curto ponto de situação sobre a iniciativa de recolha de assinaturas da petição para a convocação de uma Assembleia-Geral Extraordinária para os muitos que se predispuseram a assinar e assim, enquanto sócios, declararem-se interessados em exercer o seu direito ao esclarecimento e à decisão sobre a continuação ou não da Direcção do Clube.

Não é necessário repetir o que enumerámos como motivações para esta iniciativa, uma vez que o fizemos apenas há uma semana atrás.

A iniciativa está neste momento em stand-by, como entenderão, em virtude dos acontecimentos recentes e da demissão da Direcção ontem consumada. Tem a palavra o Presidente da Mesa da Assembleia-Geral que reunirá esta noite com o Conselho-Geral, conforme tem sido noticiado.

Importa apesar disso salientar a adesão importante que verificámos no terreno com especial destaque para o Sábado passado em que as assinaturas foram recolhidas em grande número junto ao Pavilhão Acácio Rosa, apesar de correr desde a noite de quinta-feira a notícia e promessa de que a Direcção se demitiria por mote próprio numa questão de dias.

Foi mesmo assim possível recolher assinaturas para a petição em número mais que suficiente para a convocação da AGE, sabendo também que muitas outras já prometidas se juntarão na hipótese de haver um volte-face na situação no que respeita à realização de eleições que é, para quem assinou, ponto de honra. Estamos em crer que tal não virá a ser necessário. Fora de dúvida, a existência da petição e a adesão que registou, em muito contribuiu, como factor de pressão, para que o Presidente e os Vice-Presidentes decidissem demitir-se.

Apesar da demissão consumada da Direcção e de aparentemente o caminho a tomar (pelo PMAG) se identificar com os propósitos desta iniciativa, congratulamo-nos por não ter de a ela recorrer de facto, sinal de que houve algum bom-senso e da percepção do que o arrastar de uma Direcção em condições insustentáveis acarretaria para o Clube. Seria lamentável que, constatadas essas condições precárias, tivessem de ser os sócios a efectivar essa saída lógica, votando em Assembleia-Geral.

Ressaltam para mim alguns factos importantes e que poderão servir de exemplo futuro:

- Apesar de muito desgastada e depauperada, a massa associativa do Belenenses ainda reage.

- A grande maioria das assinaturas foram recolhidas no curto espaço de uma semana.

- Parte significativa dos sócios (conforme definido nos Estatutos do Clube) se interessou ou indignou o suficiente com a situação ao ponto de iniciar um processo (que continua a acreditar não ter de concluir).

Resulta óbvio para mim, embora admita outras leituras, que independentemente de quem (plural) tomou a iniciativa de arrancar e do mérito de quem (plural) no terreno colaborou para que o objectivo fosse cumprido, esta é uma demonstração de que os sócios ainda têm uma palavra a dizer e que, apesar de privilegiar os métodos institucionais consagrados em Estatutos (que miséria de estatutos), não se demitem dos direitos que lhe assistem e que estão dispostos a exercê-los ao limite se colocados perante circunstâncias graves e excepcionais. Que isto possa servir de bom exemplo para o futuro, nem que seja para demonstrar (a quem já esteve e a quem há-de vir) que os sócios não estão dispostos a abdicar dos seus direitos e que exigem explicações.

Continuaremos atentos ao desenrolar dos acontecimentos nos próximos dias.

Nuno Gomes