A ingratição é pior que a injustiça

Que este é um mundo cão todos sabemos.

Que este mundo se move a dinheiro e não a valores de ética, justiça e igualdade também sabemos.

Que os jogadores de futebol alinham perfeitamente nesta (falta de) ideologia, também não é novidade.

Que há alguns deles que não primam pela clarividência, inteligência e outros atributos e precisam de quem pense por eles, também.

Que a lealdade ou pelo menos a rectidão não fazem parte do léxico e acção do mundo de futebol, também sabemos. Não somos ingénuos.

Dito isto, talvez as próximas linhas vos pareçam contraditórias, mas não são. Há princípios mínimos de dignidade a observar. Onde, não sei bem. Na minha consciência pelo menos, sem dúvida.

Há um Zé que a meio da época passada veio, ou melhor, regressou ao Restelo envolto num manto de salvador da pátria, bem ao jeito pastelinho da dependência e idolatria dos homens providenciais que ao longo de décadas nos tem caracterizado (e enterrado). Esse senhor, um tal de Albert Zé, a única coisa que veio fazer foi tirar-nos a UEFA (no campo, que nas finanças a conversa era já outra).

O Zé joga à bola. Dá uns chutos. E até houve um ano, para nós de má memória, que foi o melhor marcado da liga portuguesa, coisa que nem abunda na nossa história colectiva. Feito insuficiente para a manutenção na primeira divisão em 2005/06 de que só Mateus e Artolas, Lda. nos salvaram. Bem hajam pela estupidez.

Ora, como dizia, o Zé veio em Janeiro passado para o Belenenses, envolto na tal neblina sabastiânica num processo ferido de orgulhos parvos de egos enormes. Veio, marcou - quase sem jogar - e enterrou. Culpados vários e bem mais que ele, não sem que, para mim, o próprio se possa isentar de qualquer responsabilidade. Custa-me a encaixar que não tenha neurónios suficientes para conhecer as regras do seu metier. O Belenenses era o terceiro clube no continente europeu por quem o Zé jogava na pretérita época. Nem a propria Federação Espanhola o sabia (e emitiu ignorante primeiro passaporte de jogador mas a verdade é que havia jogado no Levante (12 minutinhos na primeira jornada da Liga Espanhola), depois no Albacete meia-época e finalmente o «Artolas FC» sucedâneo organizativo do outrora glorioso Clube de Futebol «Os Belenenses» que era um Clube de gente séria e capaz. Foi então nesse sucedâneo (que esperamos entretanto substituído definitivamente pelo original - desejamos mais do que acreditamos) castigado (injustamente diga-se) com 6 pontos, ficando a um ponto da UEFA, via Intertoto, e a 5 por via directa do sexto lugar na Liga que nos pertencia por direito.

Pode ser que o Zé pense o contrário, mas a realidade é que o Belenenses não o chutou para canto, manteve-o e a treinar, e pagou os ordenados. Não o abandonou num momento difícil que, concedo, contribuiu para criar, mas que não foi o único nem o maior responsável. Entre Levante em crise, Albacete que não o queria de volta e toda a indiferença perante um caso que nem devia ter existido, o Belenenses suportou o Meyong. E como agradeceu o Zé?

O Zé é apenas mais um que se valorizou a passar no Belenenses. Sai pela porta pequena para o pequeno Braga. Sai pela porta pequena porque não tem dimensão moral nem respeitou A Instituição.

Pois bem, Zé, desejo-te o mesmo rigor na apreciação pelas instituições de justiça da UEFA/FIFA com o teu caso dos empresários, como tiveram as instituições nacionais, em excesso com o Belenenses. Talvez não saibas, pois mais uma vez deves ter alguém a pensar por ti, mas essa brincadeira dos empresários múltiplos pode resultar num castigo de pelo menos uma época sem jogar. Acho que te fazia bem estar mais um tempinho sem jogar, já que não sabes minimamente, nem de longe, o que é a lealdade, reconhecimento, justiça ou postura decente perante quem te deu a mão no passado. Jogadores e pessoas deste tipo fazem-nos tanta falta como uma viola num enterro.

Por isso não evito, nem quero, o meu enorme desprezo por ti e o meu desejo de mais pura vingança servida fria de que te enterres ainda mais nesse antro para onde vais. Quando vieres ao Restelo terás a minha mais veemente vaia. Tal como os restantes traidores. Nem que eu seja o único a assobiar-te, que no Restelo já vi de tudo.