BELENENSES, 2 - Paços de Ferreira, 2
Árbitro: Cosme Machado (AF Braga)
BELENENSES – Júlio César; Baiano (Evandro Paulista, 78 m), Matheus, Rodrigo Arroz e China; Gabriel Gómez (Mano, 69 m); Cândido Costa, Silas e José Pedro (Maykon, 58 m); Vinicius e João Paulo.
PAÇOS DE FERREIRA – Bruno Conceição; Ricardo, Tiago Valente, Ozéia e Chico Silva; Filipe Gonçalves, Dedé (Rui Miguel, 72 m), Paulo Sousa e Josa (Cristiano, 40 m); Edson e Leandro Tatu (William, 64 m).
Ao intervalo: 1-0
Golos: 1-0, José Pedro (28 m); 1-1, William (72 m); 1-2, William (90 m); 2-2, Rodrigo Arroz (90 m).
Comentário
Não nos vamos alongar em comentários pois se o resultado é péssimo a exibição na segunda parte e a forma como perdemos o controlo do jogo é preocupante.
O início do jogo mostrou um Belenenses controlador e dominador e um Paços retraído. Mais posse de bola e embora sem muitas jogadas de perigo eminente o Belenenses teve falhas clamorosas na boca da baliza. Podíamos sem exagero ter chegado ao intervalo a vencer 3-0, não foram duas perdidas de Vinicius, em especial a segunda, já depois do golão de Zé Pedro que abriu o marcador, em que atirou para as núvens a dois metros de uma baliza aberta.
Na segunda parte a equipa enervou-se claramente e o domínio do Paços de Ferreira foi acentuado. A saída de Zé Pedro por lesão e o erro crasso da substituição de Gomez quando o que deveria ter sido feito era a um reforço do meio-campo que andava aos papéis (pela confusão junto do banco do Belenenses ficamos com a ideia que terá sido um erro de indicação do jogador a substituir.
Se aí o Paços já dominava e acumulava oportunidades (atirou à barra aos 59') o Belenenses respondeu com um remate à barra na sequência de um livre directo, por Gomez, antes de ser substituído aos 69'). A partir daí foi um sufoco e foi sem surpresa e perante a passividade e erros também da defesa o Paços de Ferreira chega ao empate três minutos depois, aos 72'.
Mais domínio do Paços e incapacidade total do meio-campo do Belenenses em reequilibrar a partida, com Silas claramente a dar o estouro e a não acompanhar as acções defensivas o que ainda mais veio fragilizar o jogo do Belenenses. Falhas defensivas clamorosas e o Paços marca novamente aos 90'. Cândido falha a interseção e perante a pasividade de Arroz e a má colocação de Júlio César nos postes, permitem que William dê a volta ao marcador.
O Belenenses ainda tentou reagir e conseguiu chegar ao empate em cima do final da partida, no final do período de descontos por Arroz num cabeceamente na sequência de um livre na esquerda do ataque, apontado por Maykon.
Se é um facto que o Belenenses apresentou fragilidades pouco compreensíveis face a uma equipa fraca e que apenas conseguiu reagir pela incapacidade do Belenenses em controlar o meio-campo, também é verdade que aos 61 minutos Tiago Valente devia ter sido expulso ao impedir Vinicius de prosseguir um lance de grande perigo (seguia isolado para a baliza) fazendo falta mesmo à entrada da área. A expulsão impunha-se e tem influência no resultado pois o Paços de Ferreira ficaria extremamente debilitado e dificilmente operaria a reviravolta no marcador. Mas não foi só este lance. Carece de ver a repetição com atenção, mas na jogada que antecede o segundo golo do P.Ferreira, Vinicius cai na área pacense. No momento pareceu-me, honestamente, que Vinicius deixou ficar o pé para trás para que o defesa lhe tocasse, mas a verdade é que já vi tantas grandes penalidades piores que essa serem marcadas. Para verificar no resumo da TV.
Há um claro deficit de qualidade no plantel. O poupadinho poderá ser-nos fatal. Há também deficit de leitura no banco e de trabalho táctico. No plano físico, os jogadores não tiveram capacidade para segurar o crescendo do Paços. Jogadores houve que deram o estouro, como Silas, ou que entraram na segunda parte e jogaram a passo, como Maykon. Não consigo compreender como...
Há fragilidades enormes ao nível dos centrais e a verdade é que não há tempo já para rectificar as asneiras nas contratações, apenas se pode fazer alguns (pequenos ajustes). Resta saber qual é a capacidade do treinador e do preparador físico para utilizar outros métodos que resultem já que os que vem sendo feito é claramente insuficiente.
Para mim é óbvio que ou há uma revolução de processos, de treino, a todos os níveis e uma prova de qualidade que até agora está ausente, ou o risco que identifiquei como extremamente grave de ter 16 ou 17 jogadores novos e sem experiência em campeonatos mais competitivos de qualidade por provar e um treinador também com pouca experiência em Portugal, no início da época, com o plantel a ser constituído, vai sair-nos muito caro e esta vai ser uma época de grande sofrimento e falo para a própria sobrevivência e não para objectivos que se adequem ao Belenenses como os declarados pelos responsáveis na apresentação do plantel 2008/09.
Há muito, muito, trabalho pela frente. Resta saber se o elenco é o certo ou pelo menos o suficiente. Certo, certo é que para já a nota é claramente negativa.


