
No Domingo iniciamos o campeonato no pior sítio possível. Se bem que este ano qualquer sítio é mau para começar, pelo que nos é dado a ver pelos resultados de pré-época (preocupantes). Não me refiro a resultados de jogos, mas a toda a forma como foi construído o plantel e a toda a filosofia do poupadinho agora mas todos sabemos que mais tarde para salvar o couro gastaremos muito mais, talvez uma vez mais o que não temos.
E andamos nisto em ciclos intermináveis de despachar ou deixar saír às dezenas e carregar o contentor às dezenas, época após época. Será que ainda há quem acredite que isto nos leva a algum lugar que não seja o descrédito e, a prazo, ao descalabro total? Que isso nos esvazia o Estádio, ano após ano - que incapacidade de entender e empreender uma mudança de mentalidades - que nos esvazia os cofres, que nos esvazia de massa associativa. Para não falar na alma e no orgulho... para quem não vive numa redoma e assume plenamente a sua condição de militância belenense perante o mundo (aquela coisa palpável que existe para lá das fronteiras deste meio que se convencionou chamar «blogosfera azul») e tem que ouvir o gozo e o escárnio de outros perante tanta asneira junta é fácil manter a cara e o pescoço direitos mas é impossível não sentir no fundo, onde ninguém nos pode sondar, aquela tristeza e mágoa.
E o que eu quero é que os poucos que ficaram na equipa sintam e façam das tripas coração para que não nos afundemos ainda mais, para que dias de sentimentos inenarráveis que sentimos todos há bem pouco tempo não se repitam este ano.
O campo é mesmo inclinado como a foto parodia e como a própria liga fez questão de demonstrar na nomeação do árbitro da AFPorto, para mais já com um historial de roubalheira para connosco. É o costume só que este ano a coisa é ainda mais difícil.
É óbvio que esta é não é uma mensagem de esperança. Não sou hipócrita. O que eu desejo e o que espero são coisas completamente opostas e o que eu mais quero é estar completamente errado, no final.
Quero que apesar de todas as dificuldades a chama ténue do belenensismo não se apague, que seja possível entrar no Restelo e não ter aquela dor de estômago de ver um estádio às moscas e uma massinha amorfa e indiferente, que chega tarde aos jogos e sai cedo, que no intervalo se demora nas "jolas" em vez de estar presente os 90 minutos, porque - raios - as cervejas tem todas as restantes 166,5 horas (CENTO E SESSENTA E SEIS E MEIA HORAS!) para ser bebidas. Quero que o Belenenses não seja, como tem sido, a última das prioridades de tantos de nós.
Sinto-me um touro (cornos à parte) fustigado na arena e agora a caminho do matadouro quando penso neste jogo de Domingo. Mas quero sentir e ter provas que esse é apenas um erro colossal de avaliação da minha parte e que, no fim, a equipa funciona em campo, que dá boa conta de si e mostra pernas para andar no futuro (muito) próximo.
Quanto ao esforço que o Clube deveria fazer para sair do vazio associativo, queria muito mas já não espero nada porque já percebi que o objectivo de quem dirige agora e de quem dirigiu no passado não é ter um Belenenses forte. Será outro qualquer mas esse certamente não é. E assim será enquanto os Belenenses (os que restam) o quiserem.


