A poeira nas obras da minha terra

Porque escolhi este título, nem eu saberei com toda a verdade. Julgo no entanto, e talvez com muito mais malícia que certeza que tal passando-se a muitos quilómetros do nosso Restelo, desdobrando estradas e melhorando vias, hoje delicadamente empoeiram o local onde vivem milhares de pessoas, eu incluído. Adiante!
O post que foi colocado com a maior acuidade pelo meu amigo Miguel Taveira, desencadeou uma verdadeira tormenta de opiniões contraditórias, no espaço que lhe foi dado ocupar. O que me irrita é que a maioria das opiniões escritas, pouco ou nunca referem em directo a questão em título. O que aliás é muito habitual. Palavra puxa palavra e tão à boa moda portuguesa, se começamos a falar em alhos acabamos em bugalhos, para não referir o “elegante” termo do post anterior, prova cabal de que este é realmente um Belém Livre. Voltando a coisas dignas, na maioria das vezes nem se retorna à ideia inicial. Interessa sobretudo, destilar o que vai por dentro.
Contrariando isso, eu volto ao ponto da partida, não ao pó de obras, mas às declarações de um treinador que foi um fiasco, não sei se por incúria induzida ou se por pura incompetência. Vindo especialmente da parte de quem é considerado “um terra á terra” que mereceria a maior consideração dos que nele quiseram acreditar, eu mesmo incluído. Aliás recordo no primeiro pisar de relva contra o Estoril, o JP teve um claro apoio da assistência que será sempre desejável a quem entra no nosso clube , mesmo vindo dum declarado inimigo.
A revelação tardia e abstracta, mede-se pelos resultados e pelas acções em campo. Um bom e popular treinador não se confina aos agradecimentos de meia dúzia de adeptos em Setúbal, deslocados do resto das hostes mas que não hesitaram em clamar pela pessoa em quem confiavam, mesmo que no meio de ambiente hostil do adversário.
Obrigado JP pelo esforço(?) mas não me venhas falar em eleições e derrocadas. Aquelas, as eleições, não te serviam para nada porque ninguém no seu inteiro juízo te manteria depois de tanta borrada.
Houve até uma candidatura que com muita coragem afirmou que logo no dia seguinte ao escrutínio, não te sentarias no banco para comandar o Belenenses. Não penses que com o teu actual palavreado vens induzir que o teu “carrasco” foi aquele ou o outro. Pelo trabalho apresentado pelas tuas falhas de “menino de coro”, no mínimo para não dizer outra coisa, a tua missão teve o resultado dum mau debutante.
Retomando a ideia de princípio, não é surpresa para ninguém que o descarregar de opiniões, é na maioria dos casos um desabafo necessário a uma serenidade do espírito. É tudo tão mau que o simples facto de dizer mal de alguém é um alívio. Mas não pode ser. Os comentários que ocuparam o espaço do artigo, pendularam do correcto absorvente ao imbecil e até desprezível. Que cada autor encontre o seu galho.
Estou com a serenidade suficiente para recordar que pertencemos a um clube muito grande, quase centenário, com uma história que nada apagará , com muitos metros quadrados de troféus expostos e, especialmente com um lema que é uma digna verdade: Um belenenses é do Belenenses até morrer.
Adeus Raul Solnado, belenenses confesso e declarado como muitos outros noutros campos celebrizados. Obrigado por teres sido dos nossos, não vais morrer nunca, entraste no espaço dos que da morte se libertam.