Os números do Rugby azul

A análise do Relatório e Contas da FPR, relativo ao ano de 2009, é um exercício interessante para os amantes do Rugby, e que deveria deixar o Belenenses profundamente “vaidoso” com a verificação dos números constantes na página 6 do documento: somos o Clube com maior número de praticantes de Rugby em Portugal (sem termos sequer equipa feminina), apenas seguidos de perto pelo CDUL.

Belenenses – 396
CDUL – 384
Direito – 299
Cascais – 284
Técnico – 282
Agronomia – 260

Somos o clube com maior número de atletas nos escalões Sub-8, Sub-12 e Sub-14; o segundo clube com maior número de atletas nos escalões Sub-10, Sub-16, Sub-18 e Sub-20; e apenas nos seniores estamos na 5ª posição, atrás do CDUL e Direito, bem como de outros três emblemas de menor expressão qualitativa (Benfica e Agrária de Coimbra).

Como é óbvio, quantidade e qualidade nem sempre caminham de mãos dadas, mas no caso concreto do Rugby do Belenenses é patente a qualidade das suas escolas, evidência que se expressa no número de atletas seleccionados para equipas nacionais dos diferentes escalões, envolvidos no chamado “Centro Nacional de Treinos” e nos resultados desportivos alcançados nos últimos anos, apesar de em 2009 apenas termos vencido o Torneio Nacional de Sevens, no escalão sénior.



É interessante o desfasamento entre o peso relativo por escalão nos números gerais da FPR e no número de atletas federados pelo Clube, em 2009:

  • No plano da FPR, o escalão sénior contém 24% do número total de atletas masculinos inscritos; no contexto do Belenenses, essa percentagem decresce para 10,4%;
  • Também nos encontramos abaixo da percentagem relativa de atletas no escalão Sub18 (14,7% para 13,9%);
  • O Belenenses encontra-se todavia francamente acima da percentagem relativa verificada no todo nacional nos escalões de Sub8, Sub10, Sub12 (quase 7% acima), Sub14, Sub16 e Sub21.
Significarão estes números que estamos com um peso reforçado das escolinhas fase ao todo da secção, quando comparado com o peso dos escalões de formação face aos escalões competitivos, no todo nacional.

Tem futuro, o Rugby do Belenenses… Ou será que não?

Evidentemente que os números do Relatório e Contas da FPR escondem um lado menos brilhante da situação da secção, que diz respeito a espaços de treino e competição: sendo o clube com maior número de atletas inscritos na Federação e um dos clubes com maior número de jogadores envolvidos em selecções nacionais, o Belenenses é o único dos “grandes” do Rugby que não tem casa própria (o CDUL também não tem, mas a sua situação no EUL é incomparavelmente mais vantajosa do que a situação do Belenenses no Estádio Nacional…).

Pergunto-me com frequência quanto tempo mais vamos aguentar nestas condições…

Um exemplo, entre vários possíveis:

A equipa de Sub-18, que este ano passou a treinar no Estádio Nacional, enfrenta problemas graves, ligados à escassez de transportes para o Jamor, e à incompatibilidade de horários com os treinos do Centro Nacional de Treinos. Muitas vezes não tem campo, ou tem campo 15 e 20 minutos depois da hora marcada. Já se verificaram algumas desistências, e a assiduidade aos treinos decaiu, fruto das longas distâncias sem transporte público a que os atletas se vêem forçados. A secção arranjou um autocarro para fazer ligações Restelo-Jamor, mas o problema fundamental não fica inteira nem satisfatoriamente resolvido desta forma.

No Restelo nem sempre há campos para as escolas, e equipas da formação a jogar no Campo 2 é uma miragem apenas concretizada, de tempos a tempos, pelos Sub-21.

O Rugby do Belenenses corre graves riscos de não aguentar esta condição de maior escola de Rugby do país, e a hipótese Salésias, que antes das Autárquicas 2009 era praticamente certa, foi anulada por uma série de condicionantes, que deixam o Rugby azul órfão de espaço para crescer e consolidar o elevado potencial que reconhecidamente tem.