Manhosos, manhosos, manhosos, e mais manhosos
Este ano passam 40 anos sobre a morte de Almada Negreiros (ainda me
lembro de o ver numa entrevista no programa "Zip-Zip" da RTP). Ora
leia-se esta sua intervenção de 1933 e veja-se se o pintor, poeta e
publicista perdeu a actualidade:
"Há, sim senhor!
Há um Portugal sério, um Portugal que trabalha, que estuda; curioso,
atento e honrado! Há um Portugal verdadeiro que não perde o seu tempo
com inimigos fantásticos e cujo único desejo é apenas e grandemente
ser Ele próprio! Há um Portugal, o único que deve haver e que afinal é
o único que não anda por causa dos vários Portugais inventados de
todos os lados de Portugal! Há um Portugal profissionalista, civil e
insubornável! Há, sim senhores! Mas entretanto...
Entretanto, a nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos
e de manhosos, e de mais manhosos. E numa terra de manhosos não se
pode chegar senão a falsos prestígios. É o que há mais agora por aí em
Portugal: os falsos prestígios. E vai-se dizer de quem é a culpa de
haver manhosos e falsos prestígios: a culpa é nossa, e só nossa!"
José de Almada Negreiros, In Diário de Lisboa de 3 de Novembro de 1933
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Este Conceito da Pessoa Humana, Faz-me Lembrar Algo! E Nem Sei Se o AN Gostava de Algum Clube...
Publicado por JAN @ 21.8.10 Etiquetas: Almada Negreiros, JAN, Personalidades, Registos Para Memória Futura